Comércio justo: relações comerciais que beneficiam a cadeia produtiva

Comércio justo: relações comerciais que beneficiam a cadeia produtiva

Comércio justo relações comerciais que beneficiam a cadeia produtiva

O comércio justo é uma forma equilibrada de fazer negócios. Tem sua origem a partir dos anos 50, mas evoluiu para o que é hoje: um movimento global que promove o desenvolvimento sustentável e o fortalecimento de pequenos produtores, através de parcerias comerciais baseadas em diálogo, transparência e respeito mútuo. Não é caridade, mas uma ferramenta para o desenvolvimento sustentável através do comércio. 

Para que o comércio justo se desenvolva, é necessário que as relações comerciais sejam sólidas, de longo prazo e que todos os atores do processo se conheçam. Como esta prática é pouco conhecida no Brasil, neste mês de junho produzimos um webinar onde apresentamos os princípios deste movimento e destacamos o trabalho de três operadores certificados pela Ecocert.

 

Projetos desenvolvidos

Uma das empresas participantes foi a NAT’Organico, que firmou o compromisso com bem-estar social e ambiental estimulando fornecedores e produtores. Desde 2017, são três produtores certificados que já conseguiram a construção de uma estufa para secagem, a promoção de cursos e tem no planejamento adquirir equipamentos e veículo para transporte. Tudo com o prêmio. 

A Erva-mate Catanduvas também faz parte das certificadas Ecocert com cinco produtores, todos Fair For Life e com selo orgânico. A união entre as cadeias de produção já proporcionou o pagamento por serviços ambientais para que não haja qualquer tipo de impacto, construção de poço artesiano, entrega de cestas básicas, além do projeto do sistema de esgoto das casas existentes em uma localidade na cidade de Catanduvas (SC). 

Com uma operação mais robusta, a Native, do Grupo Balbo, atinge 69 mercados ao redor do mundo e as vendas a partir do comércio justo já destinaram US$ 635 mil para o fundo desde o início da certificação, em 2015. O montante foi aplicado em 15 projetos sociais, entre eles reformas em orfanatos, asilos e escolas, além de investimentos em saúde, meio ambiente, entre outros. Somente no Brasil, beneficiou diretamente 562 pessoas e indiretamente mais de 130 mil. 

 

O movimento

Como não há normas oficiais de comércio justo, algumas organizações envolvidas desenvolveram protocolos, ou normas, para a identificação de produtos provenientes de cadeias de suprimentos que respeitam os direitos humanos, o meio ambiente e com condições justas e transparente de comércio.

O programa Fair For Life é o programa de comércio justo da Ecocert SA. Ele pode ser aplicado a qualquer tipo de produto (alimentos, cosméticos, produtos de artesanato, têxteis, entre outros) e a todas as etapas da cadeia produtiva: produtores, processadores, proprietários de marca e comerciantes.

Hoje, próximo de 500 empresas são certificadas FFL em 56 países nos cinco continentes. No Brasil, são 31 projetos certificados de alimentos e matéria-prima para cosméticos, beneficiando três mil produtores.

O processo de certificação é similar ao orgânico, porém há uma etapa inicial de avaliação da elegibilidade, quando se verifica se os valores do grupo/empresa estão em linha com o programa FFL. Há também  entrevistas com produtores e funcionários durante a auditoria. 

 

O prêmio

Um dos fatores que caracteriza o comércio justo é o apoio que o comprador deve oferecer ao grupo produtor. Este apoio é traduzido na forma de pagamento de um prêmio, gerando o  fundo de desenvolvimento do comércio justo que é utilizado na implementação de projetos de desenvolvimento local, financiando projetos coletivos que o grupo consideram relevantes. O que realmente faz diferença na vida dos produtores. 

Atualmente, o programa Fair For Life é conhecido mundialmente e grandes empresas têm o certificado – como a Les 2 Vaches, Rapunzel, Harmless Harvest, Sambazon, entre outras – que segue um código de ética e preza, além da qualidade do produto, por relações comerciais justas, onde toda a cadeia é beneficiada, do produtor ao consumidor. 

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