Alimentos sustentáveis irão salvar a Amazônia?

Alimentos sustentáveis irão salvar a Amazônia?

O Brasil está sob os holofotes novamente, enquanto partes da Amazônia estão queimando. Com grande parte da floresta tropical sendo desmatada para a agricultura, a Ecocert Brasil  e a Ecovia Intelligence acreditam que algumas das soluções estão nos alimentos sustentáveis.

Estima-se que até 80% das florestas estejam sendo derrubadas para produção pecuária indiscriminada. O Brasil é o maior exportador de carne bovina do mundo, transportando 1,6 milhão de toneladas por ano. Há pedidos para interromper as importações de carne bovina do Brasil até que haja uma moratória ao desmatamento. Na Cúpula do G7, houve ameaças de interromper o acordo comercial UE-Mercosul por causa da queima da Amazônia.

O aumento da demanda por soja também está relacionado ao desmatamento. O Brasil está vendo um aumento nas exportações para a China, que impôs tarifas aos produtos agrícolas americanos. A prolongada guerra comercial EUA-China está fazendo com que os produtores brasileiros aumentem a produção. Este ano, o Brasil ultrapassou os EUA e se tornou o maior produtor do mundo. Embora a soja não seja mais cultivada em terras desmatadas, os criadores de gado da região do cerrado (áreas sul e leste da floresta tropical) estão se mudando para dar lugar ao cultivo da soja.

A geopolítica é responsabilizada por alimentar incêndios na Amazônia, mas também existem soluções de alimentos sustentáveis. O ponto de partida são as dietas dos consumidores. A agricultura é o maior contribuinte dos gases de efeito estufa, com o gado tendo a maior parcela. Reduzir a ingestão de carne ou mudar para alimentos à base de plantas reduzirá a demanda. Além do impacto direto nas vendas de carne bovina, também reduzirá a necessidade de soja, que é um componente importante da alimentação animal.

A mudança para carnes sustentáveis ​​também é incentivada. Uma variedade de carnes humanas orgânicas, caipiras e certificadas já está disponível. Lançados inicialmente na Europa e na América do Norte, esses esquemas estão ganhando força no Brasil, na Ásia e em outras partes do mundo. Esquemas de sustentabilidade como a Mesa Redonda Brasileira sobre Pecuária Sustentável também garantem que o gado não seja pastado em terras desmatadas. No Brasil, alguns varejistas estão usando etiquetas eletrônicas para garantir que sua carne seja totalmente rastreável e não produzida por fazendeiros desonestos.

A maior mudança, no entanto, provavelmente virá da educação do consumidor. O óleo de palma, também ligado ao desmatamento, sofreu uma reação nos últimos anos por parte de consumidores que o associam ao orangotango em perigo e à queima de florestas. Varejistas e empresas de alimentos, incluindo Coop (Itália), Islândia (Reino Unido) e Barilla (Itália) responderam substituindo o óleo de palma em seus produtos. Os consumidores estão procurando ativamente produtos “sem a palma da mão”; Lançada em agosto de 2017, a Marca Internacional de Certificação Livre de Óleo de Palma agora possui quase 1.100 produtos certificados.A queima prolongada da Amazônia pode trazer outra onda de boicote ao consumidor, com carne bovina e produtos agrícolas brasileiros sob escrutínio.

Alimentos sustentáveis ​​podem fornecer soluções, no entanto, o poder está cada vez mais com os consumidores éticos. Esse será um dos temas tratado por Daniel Araujo, Eng. Agrônomo da Ecocert Brasil, na conferência Sustainable Foods Summit, cuja edição latino-americana: 29 a 30 de novembro de 2019, São Paulo.

Além da certificação da produção animal orgânica de acordo com normas nacionais e internacionais, a Ecocert Brasil atua também na certificação de cadeias produtivas de agricultura sustentáveis, Rainforest Alliance e Global G.A.P, além da certificação FSC para cadeia de custódia do papel e madeira de fontes responsáveis.

https://sustainablefoodssummit.com/

Fonte: Ecovia Intelligence

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